A Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, lançou um aumento de 52% na bandeira tarifária vermelha – patamar dois — a mais cara. O aumento já está valendo desde o dia 1º deste mês de julho.  Isso significa que o consumidor vai pagar R$ 9,49 (nove reais e quarenta e nove centavos) a mais a cada 100 kw/h (quilowatts por hora) pela energia consumida.

 O que significam essas bandeiras tarifárias?

A ANEEL determina diferentes formas de cobranças nas tarifas de conta luz. Elas foram divididas por cores e, diferentemente do que a maioria acredita, elas são correspondentes não ao quanto se consome, ou aos horários em que se consome a energia, mas sim às condições de geração dessa energia.

A grande maioria da energia no Brasil é produzida através das hidrelétricas. Essas usinas de geração de energia utilizam da força da água para girar turbinas, que transformam a energia física (movimento) em energia elétrica. Esse tipo de geração de energia é considerada uma das mais eficientes, mas acaba dependendo do nível de água nas barragens. As represas cheias dão condição favorável à produção de energia elétrica. Por outro lado, a falta de chuvas, deixa as represas com baixo nível de água, o que acaba desfavorecendo a produção normal dessa energia.

É aí que as bandeiras entram. Dependendo das condições de produção de energia, cobra-se um adicional nas faturas de conta de luz, e essas condições ficaram demarcadas pelas bandeiras de diferentes cores:

Bandeira verde = Condições favoráveis à geração de energia nas hidrelétricas, coincidente com épocas de chuva e reservatórios cheios – nestas condições não se cobram adicionais.

Bandeira amarela = Condições razoáveis de geração de energia, quando os reservatórios não estão operando com sua capacidade total devido a certa escassez de chuvas e já se apela para as termoelétricas – nestas condições já se cobra um valor adicional por kw/h (quilowatts por hora).

Bandeira vermelha patamar 1 = Condições mais custosas de geração de energia, onde os reservatórios das hidrelétricas encontram-se operando com baixa capacidade e as usinas termoelétricas suportam grande carga da energia consumida – nestas condições já se cobra um valor adicional maior por kw/h  (quilowatts por hora).

Bandeira vermelha patamar 2 = Condições ainda mais custosas de geração de energia, onde os reservatórios das hidrelétricas encontram-se operando com baixíssima capacidade e as usinas termoelétricas passam a suportar a maior carga da energia com aumento de consumo – nestas condições, o valor adicional cobrado por quilowatts/hora é o mais alto nas categorias

Por que isso aumenta o valor da minha conta de luz?

A produção de energia nas hidrelétricas é relativamente mais barata que as das usinas térmicas, assim, quando o sistema de distribuição de energia tem que recorrer à produção de energia nas termoelétricas, esse custo sobe e acaba sendo repassado para os consumidores.

A intenção do aumento das tarifas é equilibrar o custeio dessa produção de energia. Como as chuvas, responsáveis pelo abastecimento das represas são diferentes de acordo com o clima e época do ano, a alta ou baixa produção de energia hidrelétrica, são afetadas diretamente por elas.

Diante desse cenário, a ANEEL desenvolveu o sistema de bandeiras para que o repasse dos custos de geração de energia atenda às necessidades do setor, distribuindo esse custo aos consumidores, de acordo com os gastos necessários para manter o fornecimento de energia ao longo dos meses e da utilização da energia hidrelétrica – mais barata – ou da utilização da energia termoelétrica – mais cara. Em poucas palavras: para que o fornecimento de eletricidade não falte aos consumidores, o uso da geração de energia alternativa e mais custosa é necessária e, é claro, cobrada.

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