Quando você abre um portal de notícias está lá: “reajuste nos combustíveis”.

É tanto reajuste que todo mundo fica perdido, se a notícia que está estampada lá é de hoje ou de alguns dias atrás, quando teve o último reajuste. Ou penúltimo.

Pode parecer notícia repetida, mas não é. Têm ocorrido sucessivos reajustes nos combustíveis e aí o assunto ganha os noticiários quase que diariamente.

Mas o que está por trás desses sucessivos aumentos? É o que a gente vai te explicar neste post.

 

Entenda os motivos que levaram a gasolina aos atuais patamares

O combustível – e principalmente a gasolina – chegaram a este preço por uma série de fatores. É o preço do barril lá fora, é a alta do dólar, é o custo do modal ferroviário para o transporte, são os impostos.

Em resumo é isso! Tudo isso, aliás!

Mas para você entender de pronto, a gente precisa contextualizar. Tudo começa quando o governo federal decidiu (ou precisou, por pressão do mercado) parar de interferir na Petrobras.

Trata-se de uma autarquia (empresa estatal) responsável por quase 100% do petróleo do Brasil.

E em outubro de 2016 o governo anunciou a autonomia da estatal, prometendo deixar de interferir no comando da empresa e na política de preços.

A Petrobras apresentou ao país que adotaria a paridade internacional para composição dos preços, estabelecendo como critério seguir o mercado internacional.



É isso que tem feito o preço dos combustíveis subir às alturas. Um dos motivos, pelo menos.

 

Entenda o que é a paridade internacional

A nova política de preços instalada no país, através do PPI (Preço de Paridade Internacional) faz com que o petróleo nosso, seja produzido ou não aqui dentro, acopmanhe a cotação do barril de petróleo no exterior.

Isso torna o combustível suscetível a qualquer oscilação do mercado externo. Em resumo, se lá fora, no exterior, o preço do barril do petróleo for parar nas alturas, o mesmo vai acontecer aqui dentro.

Mudou o clima no mundo? Já é suficiente para alteração geral no preço do barril de petróleo. Se ocorreu alguma tensão nos países produtores de petróleo, nova alta no preço do barril e por aí vai.

Aí está o primeiro motivo da alta dos combustíveis É claro que outros fatores nesse contexto. Saiba quais são eles.

 

Saiba por que o dólar e o modal rodoviário também influenciam no preço

O segundo motivo é a alta do dólar. A moeda base das negociações envolvendo combustíveis é a americana.

E disparou a cotação do dólar nos últimos meses frente ao real.

Com o barril nas alturas, com o dólar lá em cima, não tem como o combustível não subir.

Outro fator que influencia é o modal rodoviário para o transporte.

Como há o monopólio da Petrobras, todo combustível do país “precisa sair” da Petrobras, e aí entra o transporte rodoviário.

As estradas precárias, os custos dos pedágios, os impostos inter-estaduais e a morosidade de tudo fazem com que se tenha mais um acréscimo no preço da gasolina e diesel.

Este acréscimo influencia também o etanol, que precisa sair da usina e ser transportado até uma refinaria da Petrobras para, literalmente, ganhar um selo, e depois voltar para as rodovias a fim de chegar ao destino, mesmo que o destino seja a mesma usina.

 

E os impostos, qual seu reflexo?

A lista ainda não terminou. Guardamos a cereja do bolo para o final.

Além do monopólio estatal, é tanto imposto na gasolina que é como você ir ao açougue, comprar 1kg de carne e receber apenas 600g.

A tributação na gasolina supera os 40% na interferência direta no preço, somando-se as cobranças de ICMS, Cide, PIS e Cofins.

Trazendo para os números, se a gasolina custa R$ 5 o litro, deste total, mais de R$ 2 é imposto. Sim, se o imposto fosse, por exemplo, de 7%, você pagaria pouco mais de R$ 3 o litro.

No diesel, a mordida dos impostos é menor. Segundo a própria Petrobrás, em torno de 23% do preço do combustível é resultado dos impostos já citados.

Mas, pelos próximos dois meses, isso mudou. Devido a iminência de mais paralisações, o governo federal reduziu a zero as alíquotas do Pis e Cofins para o diesel até dia 30 de abril.

 

Acalma aí que a lista ainda não terminou.

Há outros fatores como redução na produção, demanda reprimida e até mesmo o clima, que interfere no preço, acredite.

Quando as temperaturas estão muito baixas o consumo aumenta e assim os estoques de petróleo diminuem no mundo.

E, dali por diante, é efeito dominó, aumenta o preço do barril no exterior, aumenta o custo na refinaria, na distribuidora e vai terminar com preço mais salgado na bomba que abastece seu carro.

 

Existe uma mágica para a gasolina baixar?

Há um ditado que diz que “não existe almoço grátis”. Para a gasolina baixar, seria necessário reduzir impostos e isso traria um custo para outras áreas.

Outra saída seria uma somatória de fatores, que pode ser acabar com o monopólio estatal, a exemplo dos países do norte do hemisfério.

Há países o combustível é barato porque têm muitas reservas, porque há entre as empresas, há custos menores de distribuição e menor incidência de imposto.