Homossexualidade e religião podem andar lado a lado? Por que Deus nos puniria por encontrar o amor? Essas são questões que assombram e prevalecem no dia a dia de muitos homossexuais. Para muitos fiéis religiosos, a homossexualidade é considerada um pecado e, os que o cometerem, serão condenados severamente a pagar por ele.
Basicamente, Eu sou Michael conta a história de Michael Glatze, que é gay e um grande ativista LGBT, mas em certo ponto de sua vida, se volta contra todos os seus ideais e vira um pastor que ajuda a homossexuais curarem a si mesmos por meio da Palavra de Deus.
Ok, até aí tudo certo, mais um filme que causa reflexões sobre o assunto que aborda. Mas não. Eu sou Michael é baseado na história real de Michael, um jornalista americano que fundou a revista YGA – Young Gay America junto com seu ex-namorado, Benjie Nycum, com quem viveu por dez anos.
O filme começa com um Michael, interpretado por James Franco (Harry, de Homem Aranha, 2002), todo engomado conversando com um jovem que procurava pela “cura gay” e que se sentia culpado por ser do jeito que era. O conselho que recebia era: “Gay não existe, é uma falsa identidade. Você tem que fazer uma escolha. Quer ficar ao lado de Deus, ou não?”
A partir disso, o filme engata numa retrospectiva, de dez anos antes, contando a história de Mike antes disso, que perdeu seu pai aos treze por acidente cardíaco e, aos dezenove, a mãe. Por isso sempre foi meio frustrado religiosamente, culpando a Deus pelas duas mortes. Michael também era bastante revoltando contra a igreja, pois a via como uma injustiça com os homossexuais, que tinham medo de se assumir pela pressão ou pela violência que sofreriam diante da sociedade e dos religiosos.
Logo após viajar pela América e fazer um documentário sobre os jovens gays americanos, Michael começa a apresentar palpitações no seu peito, o que o leva a suspeitar ser herdeiro da mesma doença que matou seu pai. Com isso, ele acaba desenvolvendo síndrome do pânico, por achar que ia morrer a qualquer momento. Após muitos exames, os médicos disseram não haver herança alguma. A partir daquilo, Mike sentiu-se presenteado por Deus, e começou a repensar a sua situação.
Depois de pesquisar e conhecer várias religiões, visitando igrejas e templos, ele se encontrou no cristianismo. Começou a ler a Bíblia a frequentar a igreja, o que o levou a tirar conclusões sobre si mesmo: Michael não se identificava mais como gay.
Ele ficou famoso por publicar na internet que tinha virado hétero e que considerava a homossexualidade apenas uma confusão. “A verdade é que eu vivia uma mentira.” Assim, ele vira pastor e começa a ajudar homossexuais a se curarem dessa “perdição”, alegando que Deus o salvou disso.

Reflexões

O filme de Justin Kelly traz uma reflexão sobre como o ser humano pode ser controverso consigo mesmo. Eu sou Michael apresenta cenas que falam sobre a repressão contra os gêneros homossexuais e, mesmo sabendo de tudo isso, Michael se volta contra esses ideais e começa a condená-los. Apesar de ter vivido na pele todo o sofrimento que os homossexuais vivem e ainda continuam a viver, começa a reprimir essa parcela da sociedade.
O roteiro de Justin Kelly, Stacey Miller e Benoit Denizet-Lewis consegue expressar e trazer uma grande reflexão, acompanhada de muito incômodo e indignação para a sociedade em questão, a homossexual, e para as que não são também, pois é controverso demais. O filme também critica e fala sobre como a religião injustiça esses ideais, fazendo com que a homossexualidade seja uma ideia pecaminosa e cheia de repressão.
O próximo filme de Kelly traz em seu elenco James Franco novamente, que conseguiu, em Eu sou Michael, se entregar ao papel e expressar bem como o personagem se sentia diante de cada situação. O elenco é também composto por Emma Roberts e Zachary Quinto.