É um sobe e desce no preço da gasolina que não tem como não se confundir.

As vezes você quer aproveitar o preço antes que suba de novo, enche o tanque, mas na semana seguinte a gasolina está mais barata.

É uma pena que não seja sempre assim, afinal, o que mais tem assustado o brasileiro nos últimos tempos é quanto ele paga na bomba do posto.

É reajuste em cima de reajuste que acaba pesando na renda das famílias.

E não só no bolso, pesa também na mesa, na hora de se vestir, enfim, acaba impactando toda a vida do brasileiro.

E o motivo não é apenas devido aquela explicação simplista de que (quase) tudo no Brasil é transportado sobre rodas (o que demanda combustível), porque não se incentiva ferrovia, hidrovia e blá-blá-blá.

 

Entenda porque a gasolina pesa no índice da inflação

O preço da gasolina impacta o restante das nossas compras e também no nosso custo de vida em si.

Isso ocorre porque os combustíveis têm um peso alto na cesta de produtos que compõe o IPCA.

Xi, não entendi nada.

Bem, a explicação é técnica, mas vamos tentar traduzir para nossa linguagem do cotidiano.



A gasolina (e o transporte em si) pesa em torno de 20% na composição do IPCA.

E o IPCA é o termômetro do Banco Central para monitorar a inflação.

Por exemplo, a gasolina exerceu o maior impacto individual no IPCA-15 de fevereiro e respondeu por 0,17%  da alta de 0,48%.

 

Entenda como a gasolina impacta na inflação

 

Na sopa de letrinhas da economia que você tromba cada vez que liga a TV ou lê alguma matéria de economia na internet, o IPCA-15 é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15.

É é uma prévia da inflação oficial, que é medida pelo IPCA, também do IBGE.

Então, quais são os outros itens além da gasolina?

O sobe e desce dos preços de 377 diferentes itens comercializados no país é coletado todos os meses e ajudam a compor o índice do IPCA.

Estes produtos são divididos em nove grupos de gastos. Cada grupo possui um peso diferente, conforme você pode observar nesta tabela mostrada mais abaixo pelo IBGE.

Dentre os nove grupos de itens que fazem parte do índice do IBGE para a inflação, apenas quatro são responsáveis por quase 70% do peso da cesta do IPCA.

O percentual varia a cada pouco tempo, mas em geral são alimentação e bebidas, transporte, habitação e saúde e cuidados pessoais.

 

IPCA mudou o peso dos grupos para 2021

 

Para 2021 a gasolina (setor de transportes) voltou a ser o segundo item mais importante desta cesta, pois houve uma atualização na composição dos itens.

Ou seja, se a gasolina subir, como é o segundo item do IPCA, vai puxar a inflação para cima. Confira quais são os nove grupos e o peso que têm diretamente ligado a inflação:

Alimentação e bebidas – representam 21,12%

Transportes (gasolina aqui inserida) – representam 19,92%

Habitação – 15,71%

Saúde e cuidados pessoais – 13,14%

Despesas pessoais – 10,38%

Artigos de residência – 3,81%

Educação – 5,95%

Comunicação – 5,66%

Vestuário – 4,33%

Total – 100%

 

Saiba quantos reajustes a gasolina teve em  2020

Ao longo do ano passado,a gasolina já sofreu 41 reajustes. Sim, ela mudou de preço 41 vezes.

Destas, foram 20 aumentos e 21 reduções de preço.

Já o diesel teve 32 reajustes, sendo 17 elevações e 15 cortes no preço

Isso tudo acontece porque o preço do combustível aqui dentro segue a paridade do preço internacional.

Subiu o barril lá fora, sobe aqui dentro, caiu o preço no exterior, cai aqui também.

Mas engana-se quem pensa que o preço mudou tanto assim ao longo do ano (na bomba, que é diferente do preço da refinaria, sempre divulgado pelo governo).

Houve uma alta de 17% desde o início da pandemia no ano passado até dezembro de 2020.

Mas do início de 2020 até o final do ano, o preço alterou pouco.

Fechou o ano na faixa de R$ 4,68, enquanto que, no começo, a média estava em R$ 4,628.

 

 

O que é o IPCA

O IPCA é o termômetro oficial da inflação no país, medido pelo IBGE.

Seu objetivo maior é monitorar a variação nos preços dos produtos de mercado para o consumidor final.

Calculado desde 1979, o IPCA identifica uma variação nos preços do comércio.

Por isso, é utilizado pelo Banco Central para monitorar a inflação.

Já o IPCA-15, também do IBGE, é uma prévia da inflação. Ele difere do IPCA apenas pelo dia de coleta dos preços, pois abrange do dia 16 de um mês até o dia 15 do mês seguinte.

Já o IPCA mede o mês todo, desde o primeiro dia até o último, dias 30 ou 31.