A população mais vulnerável no Brasil são as pessoas em situação de rua. Além da falta de uma moradia, enfrentam todos os dias a falta de banheiros públicos, doenças e os perigos de serem molestados, maltratados ou até mesmo feridos pela sua vulnerabilidade.

Em meio à Pandemia causada pelo novo coronavírus, os moradores de rua mais uma vez estão em desvantagem pois não tem condições de se prevenir da doença com o mínimo: lavando as mãos, usando máscaras e outras medidas de proteção.

Em entrevista à rádio 9 de julho, o Frei José Francisco de Cássia Santos ressaltou que um grande número de pessoas que vivem nas ruas não têm condições de seguir nem as recomendações do isolamento social.

“Essas pessoas dependem constantemente dos serviços e da solidariedade da cidade”, frisou o frade. Por essa razão, os órgãos de auxílio a moradores de rua não devem parar de funcionar, pelo contrário, devem ser abastecidos com voluntários e mantimentos para auxiliar ainda mais durante esse período difícil.

Maiores Dificuldades

No entanto, mesmo sabendo que as pessoas em situação de rua estão precisando de apoio, os inúmeros grupos de voluntários que costumam se organizar para auxiliar estão impedidos de sair às ruas, como medida de contenção contra a Covid-19.

A falta de mão de obra e de mantimentos para o auxílio dessas pessoas tem preocupado o Frade, e os demais líderes de grupos de apoio à moradores de rua.

“Graças a Deus, nós temos conseguido manter as portas abertas para o atendimento da população de rua. Nós entendemos que é emergencial, contudo, o volume de pessoas famintas aumenta a cada dia. Isso tem nos preocupado muito, pois nossa capacidade de atendimento é limitada”, alertou o Frade.

Infelizmente, não é só a fome que preocupa, pois a pandemia do novo coronavírus impacta o povo de rua de várias formas. “A primeira e mais imediata necessidade é a fome; a segunda é a falta de proteção, por não terem onde se refugiar ou se isolar; em seguida, não há como eles fazerem a higiene adequada, tornando-se mais vulneráveis do que o restante da população.” Relatou.

Para completar, o outono está se iniciando e, traz com ele uma queda de temperatura, trazendo mais uma dificuldade para o abastecimento de itens necessários para essa população, como cobertores e roupas de frio. “É uma verdadeira força tarefa. Nós fazemos um apelo para a sociedade, sobretudo aos católicos e pessoas de boa vontade, que se sensibilizem com essa causa e sejam solidários”, finalizou o franciscano.

Ações do Governo

Para amenizar essa situação, as cidades brasileiras mais contaminadas já têm visto iniciativas do governo junto ao apelo de ONGs e grupos de apoio aos moradores de rua, a fim de suavizar um pouco essa situação. Veja abaixo algumas medidas tomadas:

São Paulo

São mais de 24 mil pessoas em situação de rua e somente metade desse número está acolhida, na maior cidade do país e epicentro brasileiro do Covid-19. A Prefeitura de São Paulo disse ter ampliado ações durante a pandemia, afirmando que sete estações foram instaladas na região central, em áreas como as praças da Sé e da República, para oferecer duchas e sanitários à população de rua. Além disso, foram criados mais 6 novos espaços de acolhimentos espalhados pelas cidades.

Rio de Janeiro

Na cidade do Rio de Janeiro, o sambódromo já começou a abrigar a população em situação de rua, para evitar a disseminação do novo coronavírus. Como só essa medida não é suficiente, a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SMASDH) também transformou em quartos oito salas de aula das três escolas municipais que funcionam sobre as arquibancadas do Sambódromo. Este espaço, tem capacidade para 400 pessoas, e foi dividido em três áreas: uma para receber 128 homens adultos; outra para 144 vagas disponíveis a mães com crianças, gestantes e mulheres; e a terceira com capacidade para até 120 idosos.

Fortaleza

Para auxiliar na prevenção ao novo coronavírus (Covid-19), movimentos e associações arrecadam doações para entrega de kits de higienização e material informativo para distribuir entre a população em situação de rua em Fortaleza. As contribuições estão sendo realizadas apenas via internet, através de uma Vakinha, para evitar contato e diminuir ainda mais a probabilidade de contaminação.

Brasília

Em Brasília, as pessoas em situação de rua estão sendo acolhidas no Autódromo Internacional Nelson Piquet, Movimento Eureka (906 Norte), Creas Diversidade (614/615 Sul) e Centro Pop (903 Sul). Em um primeiro momento foram disponibilizados quatro espaços de acolhimento, com alimentação, banheiro, dormitório, lavagem de roupa, distribuição de kits de higiene, acompanhamento social e segurança. Ao todo, são 650 vagas em endereços no Plano Piloto e este número poderá aumentar de acordo com a necessidade.

Manaus

Na Arena Amadeu Teixeira, foi criada uma base emergencial para atendimento a população em situação de rua montada pelo Governo do Estado do Amazonas. No entanto, os acolhidos nesse abrigo equivalem a menos de 5% da população de rua de Manaus, estimada em 2.000, incluindo os imigrantes venezuelanos.

As condições precárias e a baixa capacidade de atendimento desse espaço levaram o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Defensoria Pública da União (DPU) a entrarem com uma ação civil pública, em caráter liminar, contra o Estado do Amazonas e a prefeitura de Manaus no último domingo (5).

Sob pena de R$ 50 mil diários para cada um dos governantes, a ação requer o uso de estruturas públicas como escolas, para abrigar os moradores de rua. Além de espaços específicos para os grupos de risco e o isolamento de suspeitos de contaminação pela Covid-19.

Como Posso Ajudar?

Você pode entrar em contato com a prefeitura de sua cidade para saber qual o melhor lugar para entregar suas doações com segurança e separar alguns itens que certamente vão auxiliar os moradores de rua durante esse período, como:

  • Água mineral
  • Sabonete líquido
  • Sabonete em barra
  • Álcool entre 60% e 70%
  • Máscaras e luvas descartáveis
  • Papel Higiênico
  • Sabão em pó
  • Água Sanitária
  • Cobertores e casacos
  • Alimentos não perecíveis

Outra forma de ajudar as pessoas mais necessitadas é realizando doações através dos mecanismos públicos e privados que foram criados para isso, como os aplicativos usados nas lives dos shows que estão acontecendo diariamente. Para saber mais informações, clique aqui.