Com o objetivo de reabrir a economia o mais rápido possível para reduzir ainda mais os danos, muitos países começaram a relaxar as rigorosas medidas adotadas para impedir a propagação do coronavírus.

Apesar disso, todos permanecem atentos a qualquer sinal de uma segunda onda de infecções. Dessa forma, quais lições os países que ainda não flexibilizaram o confinamento podem aprender com aqueles que já retomaram suas atividades?

Siga conosco! Na sequência, vamos mostrar alguns exemplos de países que já conseguem retomar, gradativamente, e cercados de muitos cuidados, suas atividades.

Exemplo que vem do outro lado do mundo

Um dos exemplos mais notáveis vem da Nova Zelândia que, no início deste mês, iniciou sua reabertura. O país adotou o que chamou de estratégia de “eliminação” da curva de contágio, introduzindo medidas fortes no início da emergência, com o objetivo de impedir a propagação do vírus.

A estratégia deu certo, possibilitando que algumas atividades econômicas fossem retomadas, com algumas condições. A principal delas é a chamada ideia da “bolha”, ou seja, cada pessoa pode se relacionar com um pequeno grupo de amigos ou familiares próximos, mantendo-se uma distância de dois metros de outras pessoas.

Cuidado máximo com uma segunda onda

Nesta fase, a União Europeia (UE) aconselhou os 27 países-membros a agir lentamente no retorno à vida normal e a basear suas medidas em pareceres científicos. A Alemanha foi um dos países do grupo que já reabriu suas lojas, no começo de maio, apesar de registrar um grande número de infecções.

A medida coloca o país no centro das atenções internacionais enquanto espera para saber se essa estratégia vai causar um ressurgimento de casos. As autoridades permanecem vigilantes diante dos efeitos e prontas para reagir rapidamente a eles, caso ressurjam.

“No momento, as medidas estão sendo levantadas levemente. Manter distância e higiene das mãos são mais importantes do que nunca. Devemos continuar monitorando a situação de perto”, diz Marieke Degen, do Instituto Robert Koch de Virologia, responsável pela estratégia alemã contra a covid-19, à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.

Além dessas medidas, o governo anunciou que o uso de máscaras seria obrigatório desde a última semana, no transporte público e nos supermercados.

Benefício ao se usar a máscara

Embora a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomende o uso de máscaras apenas para quem está tossindo ou espirrando, ou para aqueles saudáveis, mas que estão cuidando de alguém com suspeita de infecção, Degen diz acreditar que usá-las “pode ajudar a retardar a disseminação”.

Embora reconheça que ainda não há uma base científica sólida para isso, ela diz que “parece plausível” acreditar que as máscaras oferecem proteção. Dessa maneira, o Instituto Robert Koch recomenda usá-las “em ambientes onde você nem sempre pode manter distância ou onde há muitas pessoas”, como é o caso dos transportes públicos, por exemplo.

Na Alemanha, já houve a reabertura das escolas, em 4 de maio, embora grandes eventos sigam proibidos até 20 de agosto.

Escolas com poucos alunos e devidamente separados

A recomendação da Academia Alemã de Ciências, instituição que reúne alguns dos cientistas mais renomados do país, era que o retorno às aulas fosse feito em grupos de 15 alunos no máximo.

A Alemanha pôde, enfim, começar a relaxar as medidas de quarentena graças à rápida detecção de casos. O país tem capacidade para fazer 160 mil testes por semana para detectar o coronavírus. É um dos países que mais testaram sua população.

Isso permitiu que as autoridades isolassem os infectados e diminuíssem a propagação do coronavírus, além de usar respiradores antes que a condição de uma pessoa infectada se deteriore completamente. A grande capacidade hospitalar da Alemanha e o rigoroso cumprimento do distanciamento social também ajudaram o país a retornar à “normalidade”.

Dinamarca

Outra história de sucesso é a Dinamarca, que em meados de abril já começou a reverter o fechamento de cidades e as atividades diárias. Os benefícios de agir tão cedo fizeram com que, após um mês de quarentena, crianças com menos de 11 anos voltassem às escolas e creches, desde 15 de abril. Obviamente, sentado em mesas que estão a dois metros de distância.

Como a Dinamarca pôde voltar ao normal tão cedo? “Comparado a outros países europeus, a Dinamarca foi uma das primeiras a agir”, diz Adrienne Murray, correspondente da BBC em Copenhague. Uma série de restrições foi anunciada em 11 de março, 12 dias antes, por exemplo, de medidas serem tomadas no Reino Unido.

Na ocasião, as aglomerações eram limitadas a 10 pessoas, as fronteiras foram fechadas e os trabalhadores ficaram em casa. As medidas adotadas pela Dinamarca foram muito menos restritivas que as da França ou do Reino Unido, por exemplo.

Investimento pesado no sistema de saúde

Ficar em casa não foi obrigatório e, embora bares, academias e salões de beleza estejam fechados, muitas lojas permanecem abertas. Os dados sugerem que os anos de investimento da Dinamarca em seu sistema de saúde estão valendo a pena. “Ainda temos muita capacidade, tanto em relação a leitos normais, leitos de terapia intensiva e respiradores”, diz Hans Joern Kolmos, professor de microbiologia clínica da Universidade do Sul da Dinamarca.

Retomada a rotina normal

A Noruega e a Áustria também estão entre os primeiros países da Europa a reduzir lentamente as restrições.

Na Áustria, um país de cerca de nove milhões de habitantes, pequenas lojas, oficinas de reparos, lojas de bicicletas e parques reabriram em 14 de abril. Sua proximidade com a Itália e a tragédia no país vizinho levaram as autoridades locais a adotar medidas rigorosas em meados de março, antecipando possíveis infecções.

O restante das lojas, restaurantes e hotéis estão programados para abrir neste mês de maio. As restrições a casamentos e funerais permanecem em vigor, bem como multas a quem violar as regras de distanciamento social. Os cidadãos são obrigados a usar máscaras nos supermercados, táxis e transporte público.

Já na Noruega, as crianças voltaram aos jardins de infância em 20 de abril e às escolas secundárias, uma semana depois. Na Bulgária, as feiras voltaram a funcionar.

Na República Tcheca, por sua vez, as lojas que vendem materiais de construção e bicicletas também reabriram e as regras foram relaxadas para as áreas de recreação ao ar livre.

A Espanha, que, juntamente com a Itália, foi o país mais afetado pela covid-19 na Europa, permitiu que trabalhadores não essenciais voltassem às funções desde 14 de abril e distribuiu máscaras protetoras nas estações de trem e metrô. As crianças podem sair de casa acompanhadas de um adulto desde o início de maio.

Apesar das flexibilizações, muitos líderes deixaram claro que, apesar de tudo, a rotina permanecerá restrita por um tempo e as medidas de distância social, rigorosas.