Do diretor David Frankel e da produção de Wendy Finerman, o longa rendeu a indicação – nada imprevisível – de Maryl Streep ao Oscar, e da figurinista Patricia Field ao mesmo prêmio. Baseado no best-seller literário homônimo (2003) de Lauren Weisberger, O Diabo Veste Prada é um tapa na cara daqueles que consideram a moda como uma simples futilidade.

A trama gira em torno de Andrea Sachs (Anne Hathaway), jornalista recém-formada que chega na cidade de Nova York com altas expectativas na nova profissão. Surpreendentemente, mesmo sem qualquer noção sobre moda, muito menos gosto, Andy é contratada para trabalhar na revista de moda de mais alto renome na trama, a Runway, “o emprego que milhões de garotas matariam para conseguir”. Miranda Priestly (Maryl Streep) é editora-chefe da revista, e é apresentada como uma das personalidades mais conhecidas e mais influentes da moda, seja americana ou parisiense.

A protagonista do filme enxerga a moda como algo fútil mas, ao decorrer da trama, conforme ela conhece o ramo, entende que não é só de “clackers¹” que ele é feito. Já Miranda é aquela chefe clássica de nariz empinado que sabe o poder que tem, e todos os dias arranja uma forma diferente de humilhar sua nova 2ª assistente, seja jogando seu casaco na mesa dela, ou explicando como a moda é muito mais influente e trabalhosa do que parece.

“Mas o que você não sabe é que essa roupa não é somente uma roupa.  Ela algum dia foi criada por algum designer, desfilada em alguma passarela do mundo e começou a aparecer nas coleções de muitos outros estilistas. Logo, ela chegou as lojas de departamento e talvez acabou como um item de liquidação nessas lojinhas de beira de esquina. E foi assim que chegou a você. Sem dúvida essa roupa representa milhões de reais em incontáveis empregos.” – Miranda Priestly.

Sem alcançar o reconhecimento merecido, Andrea se supera e, como forma de surpreender a chefe, começa a calçar Jimmy Choo, carregar uma Chanel e a conhecer os renomados estilistas com os quais trabalha. A protagonista também mostra ser eficiente, superando os mais impossíveis pedidos de Miranda, como conseguir a edição ainda não publicada de Harry Potter ou já fazer coisas que ela ainda não pediu.

A trama também simboliza o verdadeiro “workaholic”, tanto é que o celular de Andy não para de tocar. Além de fazer referência à inúmeros nomes da moda, com a ilustre presença de Valentino Garavani, grande estilista italiano, também mostra como um editorial de moda, por exemplo, é muito mais pensado do que simplesmente jogar ideias, cores e estampas em frente à uma câmera.

“Me avise quando sua vida pessoal estiver indo para o espaço, isso significa que é hora para uma promoção.” – Nigel

São esses os fatores que revelam um roteiro redondo, que possui certa quebra de expectativa, mas que não chega a ser o suficiente para quebrar o clima agradável que o longa apresenta do começo ao fim.  O Diabo Veste Prada é daqueles filmes que dão um gostinho de quero mais, mesmo sem pertencer aos gêneros de mais renome das telonas. O roteiro é interessante e demonstra um formato de jornalismo que, embora muitas vezes visto com maus olhos, ainda se mostra muito importante, não só para estilistas ou amantes do “look perfeito”, mas também para a economia e a política quando se é analisado o patamar em que essa indústria se encontra desde que foi alavancada. Muito mais do que algo fútil, a moda representa uma indústria cheia de trabalho, criatividade e organização.

¹: Som do salto alto que as mulheres (não só) da revista usam.