Algumas carreiras e profissões parecem que não condizem mais com o mundo atual e seus avanços tecnológicos. Estão entre elas os ascensoristas de elevador, telefonistas, entregadores de leite e outras que caíram em desuso. Tais observações nos fazem pensar que outras profissões também estão destinadas à extinção. Há previsibilidade de que operadores de caixas de supermercado serão totalmente substituídos pelos autoatendimentos, que já se encontram disponibilizados em várias lojas do tipo.

Devido ao avanço tecnológico dos textos digitais, e-books e afins, seria natural pensarmos que os biblioteconomistas estariam com seus dias contados. Mas isso se deve a uma visão superficial de que a profissão lidaria simplesmente com livros e sua catalogação.

Diferentemente do que é o senso comum, o curso de Biblioteconomia é um dos mais procurados por quem emprega ou deseja um emprego nas carreiras digitais.

A biblioteconomia tá on!

Novas oportunidades e cargos foram sendo preenchidos pelos detentores deste conhecimento nos campos tecnológicos das empresas. A profissão ganhou novos espaços com o avanço digital e a aplicabilidade do know how das tecnologias da informação tiveram nesses profissionais um campo fértil no gerenciamento de conteúdo e direcionamento de estratégias para atingir clientes.

Os bibliotecários não têm simplesmente função organizacional, mas têm como foco de conhecimento o conteúdo da informação e seu direcionamento ao usuário. Isso, nos meios tecnológicos encontra receptividade nos controles de textos digitais; rastreamento de fake news; cruzamento de dados e uma infinidade de aplicações, como quanto aos direito autorais digitais, por exemplo.

Trabalhando, muitas vezes em parceria com programadores, os bibliotecários focam no conteúdo que será disponibilizado pela comunicação digital da empresa em consonância com a busca do usuário. Assim os programadores podem cuidar de como este conteúdo selecionado chegará ao usuário ávido desta demanda. Esta abordagem é extremamente utilizada nas user experience (UX) que tem como objetivo ouvir o usuário, reconhecer suas aspirações e direcionar o serviço ou produto em consonância com essa busca.

O futuro digital

Trabalhando como curadores das informações e estas sendo apresentadas de novas maneiras, o modus operandi dos bibliotecários pode ter tido a necessidade de adaptação, mas a sua metodologia continua eficaz. A informação que era registrada somente em livros e periódicos físicos, hoje está acessível pela internet ou outro ambiente digital. As técnicas de pesquisa nestes arcabouços virtuais não se alteraram tanto, mas ganharam nova roupagem. Os bibliotecários dominam as técnicas de indexação, classificação, catalogação e disseminação seletiva de informações, todas elas são plenamente aplicáveis aos sistemas de comunicação virtual, validando as informações utilizadas.

Hoje em dia, as faculdades de biblioteconomia já têm em sua grade curricular matérias de atuação nos campos tecnológicos da informação, como administração de dados e processamento de informações, mas as especializações na área digital também têm grande procura dos formados.

Mas e as bibliotecas em si?

Em entrevista com Mariana da Silva Caprioli – Graduada em Biblioteconomia e doutoranda em Ciência da Informação, ambas pela UNESP – o futuro da biblioteconomia e o destino das bibliotecas foram abordados:

“Eu acredito muito que o futuro vai ser da tecnologia. Na faculdade, eu já aprendi bastante coisa ligada a isso, mas acho que daqui pra frente vai ser cada vez mais. A faculdade dá bastante base para trabalhar com bancos de dados, desenvolvimento de aplicativo e coisas que uma especialização pode muito bem aprimorar.

Quanto às bibliotecas em si, eu também não consigo ver uma “morte” como muitos vêm. Entendo que o contato pessoal ainda é muito importante e as pessoas ainda sentem falta disso. Em um mundo em que você faz tudo pelo celular/computador, quando as pessoas têm a possibilidade de ir à biblioteca e pegar em um livro e, além de tudo, conversar com um profissional da área, elas aproveitam isso. Isso ficou perceptível nas bibliotecas, durante a pandemia. Muitas pessoas vêm procurar os bibliotecários porque querem ter o contato com o livro. Então, acho que isso ainda vai ser importante futuramente. Contudo, a tecnologia vai tomar conta, com certeza. Já existem estudos de bibliotecas completamente digitais e que o bibliotecário cuida desse ambiente digital. De tal modo, entendo que vai acabar indo pra esse lado, onde o profissional que se forma já virá cada vez mais preparado para as tecnologias”.

Anúncios


Concluindo, as competências dos bibliotecários, estão sendo exploradas e valorizadas nos campos tecnológicos da informação e o mercado está de olho neles.