O que olhar nos balanços e nas notícias antes de comprar ações em junho
Vem descobrir como ler as entrelinhas dos balanços das empresas listadas na bolsa
Se você está a fim de entrar para o universo das ações ou de aumentar o seu aporte, você sabe o que olhar nos balanços e nas notícias antes de ir as compras?
Pois é, entrar no mercado de renda variável sem uma estratégia funciona como navegar em alto-mar sem uma bússola.
A volatilidade costuma dar as caras nos painéis das corretoras de valores nessa época e muitos ficam perdidos.
Diante disso, buscar respostas concretas nos números oficiais das companhias é o melhor caminho.
Então, vem descobrir como ler as entrelinhas dos balanços e saiba separar os fatos relevantes dos meros boatos do mercado.
A importância de validar a consistência da receita líquida
O ponto de partida de qualquer análise fundamentalista começa pelo topo da Demonstração do Resultado do Exercício, a famosa DRE.
Dessa forma, se você não sabe, entenda que a receita líquida representa todo o dinheiro que entrou no caixa da companhia.
E essa grana entrou por meio da venda de seus produtos ou da prestação de seus serviços básicos, mas, é preciso descontar impostos e devoluções.
Sendo assim, ao abrir o balanço disponível no site de relações com investidores, compare a receita atual com os números do mesmo período do ano anterior.
Saiba que uma companhia saudável apresenta um crescimento constante e sustentável dessa linha operacional.
Desse modo, busque sempre a consistência das atividades cotidianas da empresa, garantindo que o motor principal do negócio funcione de maneira eficiente e sem engasgos.
O papel do Ebitda e das margens de rentabilidade corporativa
Depois de observar as vendas brutas, o próximo passo consiste em avaliar a eficiência operacional da gerência da companhia.
É aqui que entra em cena o Ebitda, uma sigla em inglês que representa o lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização.
Ou seja, esse indicador funciona como um espelho fiel do potencial de geração de caixa da operação.
Mas, apenas olhar o número isolado do Ebitda ajuda pouco na tomada de decisão.
É preciso calcular a margem operacional, dividindo esse indicador pela receita líquida total.
Quanto maior for a margem, mais eficiente a corporação se mostra na hora de controlar seus custos internos de produção e logística.
Ou seja, se o custo da matéria-prima sobe no mercado internacional, essas companhias conseguem absorver o impacto sem sacrificar o lucro.
Dessa forma, o lucro será distribuído aos acionistas sob a forma de dividendos ou reinvestido no crescimento do negócio.
O controle rigoroso da dívida líquida em tempos de juros altos
A estrutura de capital de uma companhia dita o seu nível de sobrevivência no longo prazo.
Em um cenário onde as taxas de juros básicas permanecem em patamares elevados na economia, carregar um endividamento vai consumindo os lucros.
E isso coloca em risco a continuidade operacional de qualquer negócio.
Sendo assim, para medir esse perigo, localize a linha da dívida líquida e faça uma divisão simples pelo Ebitda da empresa.
O resultado dessa conta mostra quantos anos de geração de caixa operacional seriam necessários para quitar todas as dívidas e obrigações pendentes.
Dessa forma, acompanhe os parâmetros para avaliar a alavancagem financeira:
1-Relação abaixo de 2 vezes: indica um endividamento saudável e sob total controle.
2-Relação entre 2 e 3 vezes: exige monitoramento, pois os custos começam a pesar no fluxo de caixa mensal.
3-Relação acima de 3 vezes: sinaliza luz amarela ou vermelha na bolsa, apontando que o negócio se encontra vulnerável.
Faça a leitura do fluxo de caixa e o pagamento de proventos
Você conhece aquele ditado muito famoso no universo das finanças sobre o lucro?
Então, diz o ditado que “o lucro é uma opinião contábil, mas o caixa é a realidade”.
Ou seja, uma empresa registra um lucro líquido contábil muito bom (no papel), mas essa grana está presa em estoques e contas a receber com prazos longos.
E isso não é bom, então, acesse a Demonstração do Fluxo de Caixa, conhecida como DFC, e verifique se o fluxo de caixa antes de qualquer coisa.
Uma operação que gera dinheiro vivo possui liberdade para pagar dividendos polpudos e até para recomprar suas próprias ações no mercado.
Então, se o seu objetivo é a construção de uma renda passiva para o futuro, combine essa análise com o indicador de Dividend Yield.
Dessa forma, esse número reflete o percentual de proventos distribuídos em relação ao preço atual da ação, e isso te ajuda a ver quais são as vacas leiteiras do mercado.
Veja como filtrar o noticiário e o que olhar nos balanços para evitar as armadilhas
Até agora focamos na parte numérica e técnica dos balanços patrimoniais. Contudo, o noticiário exerce um peso brutal nas cotações das ações no curto prazo.
Saber ler jornais com senso crítico evita que você tome decisões precipitadas pelo pânico ou euforia das manchetes.
Sendo assim, monitore os canais oficiais das empresas e os portais de notícias de credibilidade.
Ou seja, esse hábito evita que você caia em interpretações distorcidas de terceiros ou em manchetes para ganhar cliques.
Além disso, investir com sucesso na bolsa de valores exige compreender que os balanços trimestrais funcionam como fotografias do passado.
Dessa forma, o preço atual reflete as expectativas do mercado em relação ao futuro, por isso, é preciso unir as duas visões antes de tirar uma conclusão.
Além disso, foque em construir posições sólidas em negócios excelentes, distribuindo os seus aportes ao longo de meses diferentes, para aproveitar o preço médio.
Dicas finais sobre o que olhar nos balanços para vencer na bolsa
Mas, olhar nos balanços antes de aportar?
Avaliar com critério os balanços e as notícias antes de comprar ações vai te ajudar a não cair em armadilhas dos noticiários.
Ou seja, em vez de encarar a renda variável como uma loteria arriscada, você passa a enxergar as ações como fatias de negócios dos quais você entende – de verdade.
Saiba que o mercado financeiro recompensa a paciência e pune o imediatismo sem critério.
Então, aproveite este período do ano para refinar seus métodos de análise, limpar a sua carteira de ativos ineficientes e buscar o crescimento no longo prazo – com decisões bem embasadas.