A mulher, em frente a um espelho, pega uma tesoura dessas de cortar papel e, em meio a choro, raiva ou álcool, corta seu cabelo e inicia uma nova fase de sua vida. 

Essa é uma cena muito comum em filmes, novelas e até mesmo clipes musicais. No clipe de “Part Of Me”, Katy Perry vive a personagem que acaba de passar por uma desilusão amorosa e corta o cabelo como um símbolo de força para mudar de vida, participando inclusive do exército estadunidense.

O nosso cabelo é uma das fontes principais da expressão da nossa personalidade. Mantemos o cuidado por ele, cortamos, pintamos, hidratamos e experimentamos novos penteados. Desde a Grécia Antiga as pessoas já tinham preocupação com o cabelo, existiam óleos, loções e várias técnicas de cuidado e estilização. 

A partir do século XX, a indústria e o mercado potencializam as mudanças de estilo, principalmente das mulheres, abrindo espaço para grandes personalidades ditarem a moda e influenciaram os indivíduos em suas escolhas de penteado. 

Um dos exemplos mais icônicos é a estilista Coco Chanel, conhecida por popularizar as jaquetas, calças e cintos femininos. Na década de 20, Chanel consagrou seu icônico corte de cabelo, que foi batizado com seu nome e é popular até os dias de hoje. Por ser bem mais curto que o padrão da época, foi um rompimento com os costumes. 

No filme e musical “Hairspray”, o foco não é exatamente nos cabelos (por mais que esteja no nome, que remete ao uso de laquê nos anos 60). Ele conta a história de Tracy Turnblad (Nikki Blonsky) e suas aventuras para se tornar uma estrela da televisão local. Entretanto, ao final do filme, vemos Tracy rompendo padrões, por ser mais gordinha e ganhar audiência na televisão, além de lutar ao lado de seus amigos negros pelo fim da segregação nos Estados Unidos. 

Afinal, quem nunca cortou o cabelo como símbolo de mudança que atire a primeira tesoura!

E o que simboliza tudo isso são suas mechas loiras e a chapinha, em meio a todas as outras meninas com os cabelos volumosos de laquê.

As mudanças no cabelo também podem significar autoaceitação e empoderamento, como é o caso de Violet Jones (Sanaa Lathan) em “Felicidade Por Um Fio”. Violet é uma publicitária bem-sucedida que alisou seu cabelo a vida toda. 

Mas, quando seu namoro termina e ela passa por um pequeno desastre no salão de beleza, a protagonista raspa seu cabelo depois de muitas lágrimas e garrafas de vinho. Então ela aprende a aceitar seus cachos e inicia uma nova fase de sua vida. 

O cabelo sempre foi um símbolo muito forte, afinal, é uma das primeiras coisas que reconhecemos em uma pessoa. E a mudança de estilo, principalmente nas mulheres, reflete também viradas de vida. 

Estamos vivendo um momento de bastante liberdade em relação a cortes e penteados. O movimento negro vem ganhando espaço com a reafirmação dos cachos, tranças e afros. 

O cabelo vermelho vivo de Rita Lee já é comum entre tantas cores, homens e mulheres não são mais estereotipados por cabelos curtos ou longos. 

Os anos passam e os estilos mudam, mas continua impactante a cena de mudar completamente o visual, começando pelo cabelo. Seja cortando, pintando ou deixando o grisalho tomar conta, poder fazer o que quiser com ele é um símbolo de liberdade e autoafirmação no mundo. 

Talvez nada mude realmente no nosso jeito de ser, mas só o fato de olhar para o espelho e ver alguém completamente diferente já te traz uma sensação boa de que é possível recomeçar quantas vezes for preciso e que nosso cabelo está sempre aí para nos acompanhar em todas as mudanças.