Se o banco te chama de “cliente especial”, leia a proposta duas vezes
Descubra como os bancos utilizam rótulos para vender serviços caros
Você já recebeu aquela ligação do gerente anunciando que a sua conta passou por uma atualização e que você agora é “cliente especial”, fazendo parte de um grupo VIP?
A promessa de atendimento prioritário, cartões de crédito dos melhores e limites de empréstimos mais altos pode ser uma boa notícia – ou não!
Pois é, o rótulo elegante de exclusividade mascara, às vezes, a cobrança de mensalidades salgadas e taxas embutidas.
Muitas pessoas aceitam essas propostas sem ler os detalhes do contrato – e acabam se complicando com o bolso.
Então, neste post, vamos te ajudar a analisar propostas bancárias com olhar crítico e evitar custos desnecessários.
O mecanismo psicológico por trás do “cliente especial”
As grandes redes de bancos criam categorias de contas que despertam o desejo de status e reconhecimento social.
Ao dividir os correntistas em segmentos comuns e especiais, o banco tem um propósito.
E essa tática de atração diminui a resistência do cliente quando o gerente apresenta um pacote de tarifas mais caro para ser assinado.
Mesmo assim, o consumidor normalmente aceita, sem ler o contrato, pois acredita ter muitos benefícios.
Sendo assim, entenda que o termo “cliente especial” representa apenas uma estratégia comercial de venda do banco e ponto final.
As tarifas ocultas nos pacotes de serviços das contas para o “cliente especial”
O primeiro impacto de aceitar uma migração de segmento bancário costuma aparecer na linha de tarifas.
As contas tradicionais cobram valores modestos por serviços básicos ou oferecem opções gratuitas.
E tudo regulamentado pelo próprio Banco Central do Brasil.
Mas, quando você muda para as categorias consideradas especiais aparecem as cestas de serviços e outras taxas – e tudo isso custa dinheiro, que você nem se dá conta.
O problema real surge quando você percebe que paga por um pacote cheio de funcionalidades que nem usa.
Por exemplo, você paga uma taxa de 50 reais por mês para ter atendimento personalizado pelo telefone, mas você raramente liga para o banco.
Ou seja, a armadilha faz com que o investimentos tenham taxas de administração altas sem você se dar conta.
Dessa forma, quando você migra para um segmento superior, o consultor da agência costuma apresentar uma carteira de investimentos “exclusiva”.
Mas, não é bem assim.
As opções sugeridas cobram taxas de administração elevadas ou entregam rentabilidade até abaixo da inflação.
As vezes, a rentabilidade é até boa, contudo, há taxas e tarifas que fazem com que se torne, talvez, até pior do que um investimento comum.
Ou seja, o gerente possui metas internas de vendas para cumprir e aí você é apenas mais um cliente.
Mas, qual o risco dos limites de crédito pré-aprovados e das anuidades caras?
As contas especiais trazem limites generosos de cheque especial e cartões com tetos de compras mais altos.
Mas, isso acaba não sendo um bom negócio, se você não sabe mexer com dinheiro, pois quando se dá conta, acaba caindo nos juros do rotativo do cartão.
Dicas para analisar contratos antes de assinar no banco
Manter uma boa relação com o consultor do seu banco ajuda na resolução de problemas, com certeza.
Mas, você deve impor limites claros nas negociações, pois o seu gerente ou atendendo do banco é apenas um vendedor com suas metas.
Então, sempre que o gerente oferecer um serviço especial, pergunte com clareza quais são as taxas – e não feche nada sem ler as entrelinhas.
Caso uma tarifa surja no seu extrato sem a sua autorização prévia, solicite o estorno imediato e fim de conversa.
O cliente informado conquista respeito, evita cobranças abusivas, sabia disso?
Mas, digamos que você recebeu uma proposta de atualização de conta ou oferta de novos produtos financeiros do banco. O que fazer?
-Multiplique a tarifa mensal sugerida por 12 para descobrir o custo anual completo daquele pacote.
-Verifique os critérios reais para obter a isenção total da taxa cobrada no cartão de crédito.
-Pesquise a rentabilidade dos investimentos em relação aos títulos públicos do Tesouro Direto.
-Confira as taxas cobradas no cheque especial e nos empréstimos antes de aceitar limites pré-aprovados.
Dicas finais sobre finanças para “cliente especial”
As decisões sobre os serviços bancários utilizados pela casa devem fazer parte das conversas.
Então, divida com a família quanto se gasta todos os meses com tarifas de cartão, cestas de serviços e juros de dívidas.
A dica final é que toda família ajude a zelar pelo dinheiro, transformando a economia obtida em um fundo para passeios no final do ano.
Então, compreender a dinâmica do mercado financeiro e seguir as orientações sobre se o banco te chama de “cliente especial”, leia a proposta duas vezes garante a proteção da sua conta.
Em vez de aceitar cobranças pesadas por causa de elogios ou acumulando cartões caros, você assume a gestão do seu patrimônio com inteligência, clareza e foco prático.
Mas, é aí, conta para a gente: você já aceitou uma proposta de conta especial e depois percebeu que as tarifas subiram no extrato?