Vale trocar dívida cara por consignado? As perguntas que quase ninguém faz
O consignado oferece taxas menores, pois há a garantia do pagamento
Em um ano de finanças apertadas, vale trocar dívida cara por consignado, pois você vai valorizar seu dinheiro e estancar a sangria de parte das dívidas.
Os impactos dessa troca, no longo prazo, vão fazer sua dívida encolher.
Mas, por outro lado, parte do seu pagamento vai ficar retido na sua folha de pagamento.
A gente sabe que o endividamento representa uma das principais fontes de estresse financeiro nas famílias.
E o problema principal não são as dívidas, em si, mas, sim, o tipo de dívidas contraídas pela maioria das pessoas.
Em geral, são dívidas com taxas de juros elevadas, modalidades como o rotativo do cartão de crédito e o limite do cheque especial.
Diante desse sufoco, a recomendação é trocar dívida cara por consignado, que sai bem mais em conta.
Mas, como fazer isso? Não tem armadilha fazer mais uma dívida para pagar dívidas já existentes?
Então, vem conferir este post e a gente vai te ajudar a sanar suas dúvidas e suas dívidas.
Trocar dívida cara por consignado
Qual a lógica matemática por trás dessa substituição?
Pois bem, não é segredo para ninguém – e nem para você – que o cartão de crédito e o cheque especial cobram as tarifas mais altas.
Com toda certeza, as taxas superam a marca de três dígitos ao ano – mesmo que o governo tenha colocado uma trava no rotativo.
Em contrapartida, o crédito consignado oferece taxas muito menores, pois os bancos têm uma garantia do pagamento.
Ou seja, essa redução ocorre porque o banco possui garantia de recebimento, já que as parcelas são descontadas do salário ou do benefício do INSS.
E isso permite que as organizações financeiras reduzam o prêmio de risco, o que também traz benefício ao consumidor, que contrata crédito mais barato.
A margem consignável na hora de trocar dívida cara por consignado
A primeira questão que você precisa entender na hora de trocar dívida cara por consignado é em relação a margem consignável.
A legislação limita o percentual do salário a ser usado para o pagamento dessas parcelas.
Sendo assim, quando você usa toda essa capacidade para quitar os erros financeiros, você zera o seu poder de reação para o futuro.
E o problema fica maior quando aparecem imprevistos financeiros e, nesse caso, você não tem dinheiro “sobrando” para resolver isso, pois a margem consignável foi estourada.
Dessa forma, sem margem consignável disponível, você perde o acesso à linha de crédito mais barata do mercado.
Saiba o que acontece com o consignado em caso de demissão
O que acontece com meu empréstimo consignado se eu for demitido?
Esta indagação surge sempre, e, claro, tem risco para os trabalhadores do setor privado.
Ou seja, o empréstimo consignado baseia-se na estabilidade do seu vínculo empregatício atual.
Sendo assim, se a empresa decidir realizar cortes e desligar você, as regras do contrato mudam.
A legislação permite que o banco retenha até 30% do valor total das suas verbas rescisórias — incluindo a multa do FGTS e o aviso prévio indenizado.
Dessa forma, se o saldo restante que não for coberto por essa retenção, o seu empréstimo perde o status de consignado – e acaba ficando mais caro.
Entenda o CET e as armadilhas dos empréstimos
Então, focar apenas na taxa de juros mensal anunciada pelo banco é um erro.
Para saber quanto você vai pagar em um empréstimo, consignado ou não, é preciso saber quanto é o Custo Efetivo Total (CET) da operação.
Essa métrica engloba todas as despesas embutidas na transação, desde o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), por exemplo.
Mas, também “encorpa” o CET também as tarifas de abertura de cadastro e seguros prestamistas, entre outros.
Se você nunca ouviu falar no seguro prestamista, saiba que ele aparece “camuflado” na maioria dos contratos e eleva sua “taxa de juros”.
Esse seguro é feito para garantir a quitação da dívida em caso de morte ou invalidez de quem contratou.
Mas, apenas do consignado ser um bom negócio, se você tem dívidas mais caras, o risco é ter esse desconto das parcelas por tanto tempo no contracheque.
FAQ – Perguntas frequentes se vale a pena trocar dívida cara por consignado
1- O que preciso fazer para organizar a vida financeira após contratar um consignado?
O primeiro passo é readequar o seu estilo de vida.
Ou seja, se você recebe R$ 5 mil reais e passa a pagar R$ 1 mil de parcela do consignado por 24 meses, isso quer dizer que durante dois anos o seu salário “líquido” será de apenas R$ 4 mil.
Sendo assim, é preciso readequar os seus gastos mensais para caber nos R$ 4 mil, sob pena de se endividar ainda mais.
2- O que é margem consignável e quanto do meu salário ela pode comprometer?
A margem consignável é o percentual máximo do salário líquido que os bancos podem reter para pagar o seu empréstimo.
Hoje, esse desconto em até 35% para empréstimos e 5% exclusivos para despesas ou saques com o cartão consignado.
3- Posso fazer consignado estando com o nome sujo no SPC ou Serasa?
Sim, existe essa flexibilidade sem análise do crédito porque, como falamos acima, o banco tem garantia de pagamento pelo desconto na folha.
4-O banco pode me obrigar a contratar o seguro prestamista junto com o consignado?
Não, essa prática configura venda casada e encontra veto expresso no Código de Defesa do Consumidor.
5-O que acontece com meu consignado se eu mudar de emprego?
Ao pedir demissão, o desconto em folha para, por óbvio, então, as regras contratuais mudam – como falamos acima.
6-Posso quitar as parcelas do consignado de forma antecipada?
Sim, você pode antecipar o pagamento de parcelas ou liquidar o saldo devedor total quando você quiser.
Além disso, o banco deve oferecer desconto proporcional dos juros futuros acumulados no contrato.