Assim como qualquer outro produto que vem da indústria, existem diversos passos para que o resultado final chegue nas mãos do consumidor. Da mesma forma que acontece com o ramo alimentício, que participa do setor primário, secundário e terciário, outros produtos também fazem parte de todo esse processo antes de atingir o cliente. Isso também acontece com a moda, afinal, você já pensou em quem faz as suas roupas?
Além de ter um grande impacto sustentável, o consumo da moda ainda traz em questão o impacto social, que, por muitas vezes, pode prejudicar diversas camadas da sociedade que faz parte de todos os processos dos produtos industrializados. Uma calça jeans, por exemplo, leva mais de 5 MIL LITROS de água em sua cadeia de produção, desde o plantio do algodão até o final do processo para estar prontinha para uso.
Agora pense em quantas calças jeans você tem no seu guarda-roupa e em quantas calças jeans têm no mundo. É muita água, né? Além disso, muitas condições de trabalho são abrasivas para os trabalhadores, principalmente na indústria da moda. Isso é chamado de “Fast Fashion”, em tradução literal “moda rápida”, que caracteriza essa produção de roupas em massa, que muitas vezes exploram trabalhadores e diminuem a qualidade do produto.

A revolução

O movimento “Fashion Revolution” nasceu quando um enorme número de trabalhadores desse ramo morreu em uma tragédia, que aconteceu em 24 de abril de 2013.
Na referida data, o Edifício Rana Plaza, um prédio onde tinham muitos costureiros, em Bangladesh, desabou e deixou cerca de 1.130 mortos e 2.500 feridos. Nessa ocasião, a população pôde enxergar um “lado obscuro” na indústria da moda, pelas péssimas condições de trabalho dos trabalhadores que estavam naquele prédio.
A partir daí, muitas pessoas engajadas tomaram este como o “emuprrãozinho” que faltava para ter uma reflexão muito mais forte sobre o assunto e sobre o consumo de roupas em geral.

Slow Fashion

Ao contrário da “moda rápida”, o Slow Fashion significa moda “devagar”, ou seja, caracteriza um processo de desenvolvimento de roupas com mais qualidade, atenção e melhores condições de trabalho, já que não precisam ser feitas em enormes quantidades.
Além disso, o movimento também prega a redução do consumo na moda, sem comprar desenfreadamente diversas peças ou então investir em novas roupas que você talvez nem vá usar.

Como fazer parte

Além de economizar recursos sustentáveis do planeta e também ser mais consciente sobre as condições de trabalho nas indústrias gigantes da moda, você também pode economizar uma graninha ao aderir o Slow Fashion, visto que a reciclagem é um de seus principais mandamentos.
● Opte por comprar roupas em brechós, que possuem qualidade e não faz parte de uma nova produção com novos recursos. Afinal, as roupas já estão lá.
● Troque suas peças por peças diferentes com seus amigos ou até mesmo nos brechós.
● Reutilize. Ao invés de jogar fora uma peça, que tal personalizar e fazer uma peça nova?
● Opte pelos produtores locais. Além de valorizar o comércio local, você também acaba adquirindo um produto mais sustentável, responsável e de qualidade.

Preste atenção nos tecidos das roupas

Algodão: utiliza pesticidas e muita água em seu cultivo;
Sintéticos (poliéster, náilon e acrílico): ao lavar esses produtos, eles liberam microfibras que, geralmente, são produzidos a partir do petróleo e dependem do uso de combústíveis;
Lã, couro e pele: derivados dos animais são responsáveis pela liberação de metano, um dos gases do efeito estufa. Em sua produção, também são utilizados produtos químicos nocivos à saúde dos trabalhadores.
E aí, agora que você sabe dos perigos do consumo da indústria da moda, que tal pensar um pouquinho antes de fazer uma nova compra?